UM PLANO PERFEITO PARA UMA EXECUÇÃO BEM FRACA

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Está cada vez mais comum ouvir pessoas aleatórias comentarem sobre alguma série da Netflix, ver o público comum comentar mais sobre séries e filmes é legal, porém algo nos padrões da TV aberta está mais propicio a se tornar popular no catálogo da empresa. Precisamos concordar que isso não é algo ruim, não chegamos ao ponto de tudo ser descartável na Netflix, felizmente estamos longe disso, mas para encontrar coisas novas precisamos colocar um filtro muito bom.


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É fácil saber o que está sendo relevante na plataforma, quando você é mal atendido na fila do mercado por que os funcionários preferem conversar sobre a série dahora que saiu na Netflix ou quando precisa ficar esperando a atendente do Poupatempo terminar de contar como é a série que ela assistiu na Netflix no dia anterior. Isso são as armadilhas que você não deve cair. Ouviu a tia falar na fila do mercado, corra!

Originalmente produzido pela Antena 3 na Espanha, La Casa de Papel teve seus direitos de exibição comprados pela Netflix e foi onde alcançou a popularidade no Brasil, então assim podemos dizer que a empresa emplaca mais um sucesso por aqui, porém não é tudo isso que você ouviu na fila do mercado.

Qualquer conteúdo que explore um assalto, fuga de prisão, investigação ou qualquer outro gênero do tipo nos instiga a imaginar e criar teorias de como o plano será executado. Em Prison Break, pelo menos na primeira temporada, foi divertido imaginar e tentar entender todo o plano do protagonista ao decorrer da temporada, já em La Casa de Papel o plano parcial é colocado em prática já no primeiro episódio, porém nas duas séries é possível encontrar um erro que afete a série como um todo. Demorar para executar o plano: isso faz com que todo o arco dos personagens não passe de enrolação, algo é feito, da errado, o erro já tinha sido previsto e existe um plano B em seguida, isso geralmente está no roteiro mais de uma vez e sempre fica aquele Cliffhanger entre episódios, no caso La Casa de Papel não comete esse erro, mas um muito parecido. O plano é executado rápido: o autor do plano planeja tudo milimetricamente, não existe ponta solta, existe erro, que logo é contornado por um plano B, brigas entre membros do grupo e um monte de outras coisas que pode custar o plano todo e no final tudo dá certo. Nos primeiros minutos é fácil esperar as duas situações, mas logo percebemos que as coisas acontecem de forma rápida, por enquanto.

Para qualquer uma das duas situações existem ciladas se o roteiro for fraco, La Casa de Papel sofre quando decide que os oito assaltantes iriam entrar na Casa da Moeda já no primeiro episódio. Claramente todo o desenrolar do plano seria explorado ao decorrer da temporada, com pequenas explicações sobre o assalto nos primeiros episódios, o foco fica com as intrigas dentro, a partir do ponto de vista dos assaltantes, e fora, pelo ponto de vista da policia, da Casa da Moeda da Espanha. O roteiro foi alterado diversas vezes para que o plano inicial seja perfeito, isso é bem interessante, pois o planejamento precisa conter o tempo que os os oito assaltantes terão para supervisionar 67 reféns, produzir 2,4 bilhões de euros, lidar com forças de elite da polícia, além de ter o tempo para fazer sexo e fumar um cigarro sentado no banheiro refletindo sobre a vida e o relacionamento.

O plano arquitetado pelo Professor parece perfeito, mas a execução da série não alcança a metade da inteligência do cara por trás de tudo. Criando relacionamentos bobos e sem importância, a maior parte das tramas entre personagens beiram o superficial e faz com que tudo que seria interessante, seja transformado em frases para impactar e virar legenda em foto do Instagram. Alias, a maioria dos personagens são utilizados de forma errada dentro do roteiro, em nenhum momento sentimos atraídos ou nos identificamos com algum deles, o principal motivo é pelo protagonismo da Tokio, onde todo o assalto é mostrado pela visão dela, ela é a escolhida para se comunicar diretamente com o público, em alguns casos narrando e explicando algumas coisas, porém em certos momentos esse protagonismo simplesmente se apaga. A falta de identificação com os personagens é um dos grandes problemas da série, tantos personagens e núcleos sendo desenvolvidos e nenhum consegue ser relevante o suficiente para segurar o espectador.

Toda a trama apresentada tinha um potencial enorme, todo o plano é genial e interessante, mas os núcleos de romance e a enrolação durante os episódios acabaram deixando a série inchada de coisas irrelevantes e sem graça. A temporada ainda não terminou, mas pelo decorrer dessa primeira parte, será difícil ver algo diferente nos episódios restantes.


 

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